A Grande Corrida para Brasília - 4 Reviravoltas que Definirão o Futuro Político da Bahia

Este artigo decodifica os quatro movimentos estratégicos que não apenas antecipam a corrida eleitoral, mas redefinem suas regras
22 Dez 2025
Introdução
Embora as urnas de 2026 ainda pareçam distantes, o complexo tabuleiro de xadrez da política baiana já treme com movimentações decisivas. Longe de ser uma mera dança das cadeiras, o que testemunhamos é um realinhamento fundamental de poder, com peças-chave executando jogadas ousadas que revelam a ansiedade e a estratégia por trás da próxima grande disputa. Este artigo decodifica os quatro movimentos estratégicos que não apenas antecipam a corrida eleitoral, mas redefinem suas regras.
As articulações atuais vão muito além de candidaturas individuais, revelando tendências que podem reconfigurar o poder na Bahia e em Brasília.
1. O Êxodo para Brasília: Um Gambito de Alto Risco
Um movimento massivo e sintomático agita a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA): pelo menos oito deputados estaduais, tanto da base governista quanto da oposição, articulam o "salto federal" para a Câmara dos Deputados em 2026. Este não é um movimento trivial; é um gambito de alto risco e alta recompensa. Para ser bem-sucedido, exige a superação de um patamar eleitoral altíssimo, como visto em 2022, quando deputados estaduais que fizeram a transição, como Diego Coronel (PSD) e Leo Prates (PDT), precisaram de 171.684 e 143.763 votos, respectivamente. Além disso, terão de enfrentar o poder avassalador das emendas parlamentares dos incumbentes.
As motivações por trás desse êxodo são tão variadas quanto os nomes envolvidos, revelando um cálculo estratégico individual:
- União Brasil: Alan Sanches, após quatro mandatos estaduais, vê a mudança como uma progressão natural de carreira. Manuel Rocha busca herdar o capital político do pai, o veterano deputado federal Zé Rocha. Já Robinho aposta em sua forte base no agronegócio e no município de Nova Viçosa.
- PL: O bolsonarista Leandro de Jesus busca uma plataforma nacional, enquanto Raimundinho da JR planeja a candidatura por outro partido, o Solidariedade, para se manter na base governista.
- PCdoB: A candidatura de Olívia Santana é impulsionada por uma causa maior de representatividade.
- PV: Roberto Carlos, em um complexo arranjo regional em Juazeiro, deve migrar para o PDT, e Vitor Bonfim conta com forte apoio do governo estadual para viabilizar seu nome.
2. A Lacuna na Representatividade: A Missão de Levar uma Mulher Negra a Brasília
A pré-candidatura da deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) transcende a ambição pessoal. Trata-se de um movimento estratégico para corrigir uma falha histórica e gritante na representação política baiana. A Bahia, estado com a maior população negra fora da África, não possui uma única mulher preta entre seus 39 representantes na Câmara dos Deputados.
A urgência dessa missão é amplificada pelo fato de que esta lacuna representa uma regressão. A última e única mulher negra a ocupar uma cadeira federal pela Bahia foi Tia Eron (Eronildes Vasconcelos), eleita em 2014. A campanha de Olívia, já aprovada por unanimidade em convenção do PCdoB, visa diretamente preencher esse vácuo de representatividade.
Entendemos que é uma vergonha um estado como a Bahia, que tem uma maioria de mulheres e negros na sua população, não ter nenhuma mulher preta na sua bancada de 39 deputados.
3. O Caminho Inverso: O Plano B Estratégico de João Leão
Em uma manobra que desafia a lógica tradicional da carreira política, o deputado federal João Leão (PP) articula o movimento contrário: deixar Brasília para disputar uma vaga de deputado estadual. Contudo, classificar essa decisão como meramente "curiosa" é subestimar sua profundidade estratégica. A verdade é que este é um calculado Plano B, condicionado a um objetivo maior.
Leão revelou que seu foco na AL-BA só se concretizará se ele não for o candidato ao governo do estado em uma eventual desistência de ACM Neto. Sua ambição, portanto, não sinaliza um desinteresse pelo poder, mas sim uma estratégia para consolidá-lo na esfera estadual, possivelmente posicionando-se como um "kingmaker" com influência direta sobre os recursos e a política da Bahia.
Ou virei como governador, se Neto desistir... O que eu quero mesmo hoje é ser o que nunca fui, deputado estadual. Vou ser deputado estadual aqui.
4. Alianças Nacionais, Caos Local: Como Fusões Partidárias Embaralham o Jogo
As diretrizes impostas por Brasília estão gerando um verdadeiro caos nos arranjos locais, forçando um rearranjo de forças que antecipa a disputa de 2026. O principal exemplo é a federação entre União Brasil e PP. Esse acordo nacional obriga o PP baiano, que se aproximava do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a se alinhar institucionalmente com seu principal adversário, ACM Neto (União), que comandará a aliança no estado.
Essa não é uma situação isolada, mas uma tendência sistêmica. Negociações avançam para possíveis federações ou fusões entre PSDB e Podemos e MDB e Republicanos — todos com alinhamentos opostos na Bahia. Essas determinações "de cima para baixo" forçam um frenesi de articulações, com deputados buscando novas siglas para sobreviver politicamente. Essa instabilidade é, em si, um poderoso catalisador para o "Êxodo para Brasília", já que uma candidatura federal pode ser vista como uma rota de fuga estratégica do turbulento cenário partidário estadual.
Conclusão
As movimentações para 2026 na Bahia revelam um ecossistema político em estado de alta ansiedade. A instabilidade gerada por alianças nacionais força deputados a buscarem refúgio em Brasília, o que, por sua vez, abre espaço para campanhas focadas em corrigir lacunas históricas de representatividade e para veteranos da política executarem manobras ousadas de consolidação de poder local. O tabuleiro não está apenas se movendo; está sendo redesenhado por forças que operam de Brasília para Salvador.
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